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A MÚSICA DE SIMONAL

A Pilantragem foi uma revolução

Simonal continuou gravando até 98, dois anos antes de morrer. Jóia, Jóia, de 71, ainda é um bom disco, com mais soul, funk e jazz como Na galha do cajueiro. Mas não era a mesma coisa. Simonal tinha perdido o viço da Pilantragem, a visão do intérprete inovador, o faro para descobrir novos compositores e, principalmente, os músicos e maestros que colocavam em prática uma música nova que só ele era capaz de cantar.

 

Ruy Castro contou em Chega de Saudade que, quando surgiu no Beco das Garrafas, Simonal provocou uma sensação que é hoje indescritível e talvez inacreditável. Ele definiu o cantor como o máximo para seu tempo: grande voz, um senso de divisão igual ao dos melhores cantores americanos e uma capacidade de fazer gato e sapato do ritmo, sem se afastar da melodia ou sem apelar para os scats fáceis.

 

 

 

Para o amigo César Camargo Mariano, Simonal tinha um talento singular. Trabalhar com ele foi uma grande escola para todos nós. Fazia uma música pop, de boa penetração em todas as camadas sociais, leve, alegre e de uma qualidade absurda. O disco tinha o mesmo cuidado que era passado para o palco. Simonal sempre soube muito bem o que queria fazer e tinha um tino artístico e profissional muito forte.

A Wax Poetics, uma das mais importantes e prestigiadas publicações independentes de música e comportamento nos Estados Unidos, lançou esse ano o seu segundo livro: Wax Poetics Anthology Volume 2. Trata-se de uma compilação revisada e atualizada de suas principais reportagens. Dois brasileiros estão presentes: Eumir Deodato e Wilson Simonal, ao lado de capítulos dedicados ao hip hop, a Joe Zawinul e Sun Ra, entre outros. Simonal é apresentado aos americanos em The saga of Wilson Simonal, com detalhes sobre sua vida, discografia e sua importância musical.

 

  

Discografia disponível

 

Enquanto não aparecem os relançamentos prometidos para esse segundo semestre de parte da discografia de Simonal remasterizada, é possível encontrar por aí antologias que dão uma boa idéia do trabalho do cantor.

 

- WILSON SIMONAL – CD duplo da EMI da Série Meus Momentos (1999)

 

Vai de Tem algo Mais (63) até Simona e Jóia, de 70 e 71, respectivamente. Passa por A nova dimensão do samba e S’imbora, faz um bom retrospecto da Pilantragem, a partir de Vou deixar cair, e pelas melhores músicas da série Alegria! Alegria!. Obrigatório como aperitivo para entender a música , o talento e a importância de Simonal.

 

- A ARTE DE WILSON SIMONAL – CD simples da Universal da Série A Arte De (2005)

 

Tem um encarte com todas as letras e pega músicas de discos menos conhecidos de Simonal, que vieram depois da sua ruína em 71, além de clássicos presentes no título anterior. São sete músicas, metade do disco, de Se dependesse de mim..., de 72: Noves fora, Quarto de Tereza, Ninguém tasca, Expresso 2222, Feitio de oração, Irmãos do sol e a faixa-título. Seis faixas de Olhaí, balândro... É bufo no birrolho grinza!, mais da metade do disco, de 73: Andorinha preta, Dingue li bangue, Sabiá-laranja, Quem mandou (pé na estrada), Rio Grande Sul na festa do Preto Forro e Nega tijucana. Três músicas e um medley de samba de pagode, de 74, provavelmente de compactos: Cuidado com o bulldog (mais uma vez Jorge Ben), A pesquisa, Na subida do morro e o medley com Pagode do exorcista/Parece que bebe e Senta aí, vovó. O CD ainda tem uma gravação rara de Simonal cantando com Sandra de Sá, ao vivo, Lobo bobo, em 1997. Vale o investimento, até porque esses CDs que fazem parte de séries populares costumam ser muito baratos.

 

- WILSON SIMONAL – CD simples da Série da EMI 2em1 – 2 LPs em 1 CD (2003)

Ouro puro: dois LPs originais de Simonal reunidos em um CD. Dois discos da Série Alegria! Alegria!: o Vol. 2 – Quem não tem swing morre com a boca cheia de formiga, e o Vol. 4 – Homenagem à graça, à beleza, ao charme e ao veneno da mulher brasileira. Sá Marina, Cai Cai, Manias, Recruta biruta, Zazueira, Não tenho lágrimas, Vamos S’imbora, Maquilagem, Evie, Canção da criança, Eu fui no Tororó, Que maravilha, País tropical... O grande Simona no auge.

 

- WILSON SIMONAL CANTA TOM & CHICO – EMI (2006)

Disco irregular e oportunista. Simonal, como foi dito aqui, nunca foi um bossanovista clássico, embora tivesse aparecido no começo dos 60 - quando o gênero era hegemônico na roda da alta cultura da música brasileira. Também não foi um cantor típico de MPB, ainda que tivesse perseguido os dois gêneros à sua maneira. Simonal sempre foi Simonal, o que pode ser comprovado pelas gravações de Se todos fossem iguais a você, Só tinha que ser com você e, principalmente, Cordão – esse sim o verdadeiro Simonal.

 

Na internet, tem dezenas de sites falando de Simonal e oferecendo seus discos para download. O melhor deles é o gringo Loronix, mas têm outros. É só procurar.

 

Quero a rosa e não a roseira

(Isso é o que vale para mim)

Quero o tombo e não a rasteira

(Mas não depende de mim)

 

Quero a paz das catedrais

Em nossos dias normais

Quero de você o eterno cais

(Quisera, quisera, quisera)

 

Quero a luz dos castiçais

Nas nossas noites normais

Quero brisas e nunca vendavais

(Quem dera, quem dera)

 

(Se dependesse de mim... – Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza)

 

Quem dera, Simonal. A vida pode ser bela mas não é justa. Quem dera...

 

 

 



Escrito por sergio menezes às 03h12
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A MÚSICA DE SIMONAL

A importância da Pilantragem e de Simonal para a música do Brasil

Simonal viu na Pilantragem a chance de ampliar sua visão musical cada vez mais eclética, sem as amarras de estilos pré-definidos como Bossa nova, samba ou MPB. Mudou o visual e o figurino e assumiu a imagem do soulstar norte-americano, à maneira de Al Green e Sly Stone. Segundo Denilson Monteiro, autor de Dez! Nota Dez! Eu sou Carlos Imperial, a biografia do mentor de Simonal, a Pilantragem era um som com pitadas de Burt Bacharach, Herb Albert, Chris Montez, o lá-lá-lá do porto-riquenho Trini Lopez, jazz, rock, samba, xaxado, baião, e o mais importante: descontração.

 

A Pilantragem tentou incluir, misturar, sintonizar e equalizar a emergente Música Popular Brasileira com as conquistas recentes da música pop da época: soul, o som da Motown, funk, jazz-soul, o rock depois da Invasão britânica, psicodelia e easy listening (por meio dos arranjos de Bacharach e Herb Albert. Ao mesmo tempo, a Pilantragem atualizava a Jovem Guarda e a Tropicália, trazia o samba de gafieira, rearranjava canções-de-roda, incrementava os metais e criava a primeira manifestação de música pop negra no Brasil, junto com Jorge Ben e antes de Tim Maia.

 

Depois do precursor Vou deixar cair e de um disco ao vivo (67), Simonal começa a mandar na música brasileira com a inédita fusão musical promovida pela Pilantragem, representada pelos quatro LPs da série Alegria! Alegria!. No primeiro disco, Alegria, Alegria!!!, de 67, Simonal transforma a ingênua Escravos de Jó em puro balanço. Vesti Azul, de Nonato Buzar ainda é original e desconcertante ouvida hoje; nos 60, era um luxo para as massas que Simonal sempre quis atingir com música de qualidade. A sensacional Nem vem que não tem, de Imperial, é música pop na fachada e soul-jazz no fundo, com guitarra que lembra Wes Montgomery e Grant Green.

 

O maestro Lyrio Panicali agora era o diretor-musical. As orquestrações e a regência foram entregues a César Camargo Mariano do Som Três, que tinha acompanhado Simonal no Beco e foi um dos grandes responsáveis pelo som da Pilantragem. O Som Três, além de César no piano, tinha Toninho Pinheiro na bateria e vocais de apoio, Sabá no baixo e vocais, que participa de Ninguém sabe o duro que dei, Juarez Araújo no sax tenor e Maurilio da Silva Santos no trumpete. Os também maestros Erlon Chaves e Antônio Adolfo, além de Imperial, Nonato Buzar e o Som 3, formavam o núcleo da Pilantragem que orbitava em torno de Simonal.

 

 

 

Alegria! Alegria! – Vol. 2 ou Quem não tem swing morre com a boca cheia de formiga é de 68. O subtítulo meio gangsta é auto-referente e mais uma provocação de Simonal. O disco abre com a épica (e triste) Sá Marina, de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, um dos maiores sucessos de Simonal e uma de suas melhores gravações, com destaque para a frase de piano criada por César. A segunda faixa é a fabulosa Cai Cai (Roberto Martins), uma gafieira pop com metais e órgão elétrico – outro arranjo revolucionário de Mariano. Zazueira, de Jorge Ben, também inova nos metais, como Vamos S’imbora, que a partir do jazz-soul antecipa em mais de 20 anos o que seria o acid jazz dos anos 90.

 

O volume 3 de Alegria! Alegria! ou Cada um tem o disco que merece, de 69, é o mais irregular da série, com destaque para a colagem pós-industrial e anti-consumista de Mustang Cor de Sangue, dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle. No mesmo ano, é lançado Alegria! Alegria! Vol. 4 ou Homenagem à graça, à beleza, ao charme e ao veneno da mulher brasileira. A primeira faixa que chama a atenção é Evie, de Jimmy Cobb, que não tem nada a ver com a Pilantragem, mas lembra o crooner perfeito que Simonal sempre foi, comprovado em Ninguém sabe o duro que dei quando ele canta com Sarah Vaughan. Eu fui no Tororó é antológica porque o cantor leva para o estúdio os famosos ensaios que fazia com as platéias por onde se apresentava, separando as vozes e as frases antes de reger o coro formado pela massa que o admirava e se rendia à sua música e ao seu carisma.

Jorge Ben, mesmo não fazendo parte (formalmente) da Pilantragem, também estava renovando a música pop negra no Brasil e comparece com duas músicas no último disco da série Alegria! Alegria!.O LP marca e encerra a grande fase do Movimento pensado por Imperial e consolidado por Simonal, César Camargo Mariano e seus músicos, Erlon Chaves, Nonato Buzar, Tibério Gaspar e Antônio Adolfo, entre outros. Simonal grava no Vol. 4 Que Maravilha, de Ben e Toquinho, e País Tropical. Nesta faixa, repete a canção subtraindo as últimas sílabas da primeira e da segunda parte da música, sem perder a divisão do tempo, virtuosismo que foi adotado pelo próprio Jorge Ben e por todo mundo que regravou País tropical depois de Simonal.

O ensaio encenado pelo cantor na gravação de Eu fui no Tororó foi colocado em prática, mais uma vez, no encerramento do IV Festival Internacional da Canção, ao vivo, no Maracanãzinho, antes do show de Sérgio Mendes, programado para fechar o evento. Estima-se que naquela noite Simonal tenha regido um coro de 15 a 40 mil pessoas – os números são contraditórios. O que se sabe é que o grande Sérgio Mendes ficou nervoso e com medo de encarar o público depois da apoteose de Simonal.



Escrito por sergio menezes às 02h50
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A MÚSICA DE SIMONAL

A Pilantragem

Vou deixar cair, de 66, muda tudo na carreira do cantor. A primeira faixa é Vento de maio, dos pré-tropicalistas Gilberto Gil e Torquato Neto. Meu limão, meu limoeiro, sucesso instantâneo de Simonal, vem em seguida e depois Carango, de Nonato Buzar (outro compositor que ele ajudou a lançar) e Carlos Imperial. O título do documentário sobre Simonal saiu do refrão de Carango: ninguém sabe o duro que dei, pra ter fon-fon trabalhei, trabalhei... A Bossa nova, que Simonal nunca abandonou de vez, reaparece na interpretação memorável de Minha namorada, de Carlos Lyra e Vinícius. No mesmo disco ainda lança Cassiano, que faria história na música soul brasileira, em Sem você eu não vivo, e compõe com José Guimarães o Samba do Mug, boneco que virou febre entre crianças e adolescentes nos anos 60. Simonal fazia merchandising antes mesmo de ele existir formalmente no Brasil.

 

 

 

 

Outra faixa obrigatória de Vou deixar cair e da nova fase de Simonal é Mamãe passou açúcar em mim, de Carlos Imperial, que lembrava vagamente Juca bobão do disco anterior um ano antes. Simonal entrava com tudo no movimento hippie que o seu mentor começava a divulgar no Brasil, mas que ainda precisava de uma costura estética, referências e de uma música que lhe desse sentido. Imperial veio com samba jovem. Simonal gostou do conceito, mas não do nome. Nonato Buzar sugeriu bossa brasileira, que Simonal também não gostou porque achava formal demais. O cantor encarnava aquela festa com esperteza, suingue, malandragem e pilantragem – o nome que ele queria. Imperial concordou e Nonato Buzar foi voto vencido, mas profetizou que a pilantragem ainda seria usada de forma depreciativa e não estava totalmente errado.

 

 

 

Em Ninguém sabe o duro que dei a maioria dos depoimentos reprova o Movimento. O jornalista, compositor, crítico musical e escritor Sérgio Cabral é enfático: a Pilantragem não acrescentou nada à música brasileira... Simonal não precisava daquilo... Simonal era maior do que aquilo...  Erro grosseiro de Cabral: Simonal não era maior ou menor do que a Pilantragem – ele era a própria Pilantragem.

 



Escrito por sergio menezes às 02h29
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PRA MACHUCAR

A MÚSICA DE SIMONAL – Primeira fase

 

Simonal cantou muito e de tudo. Cantou bem em inglês, francês, italiano e espanhol, mesmo falando só português - segundo ele uma das línguas mais difíceis do mundo para cantar. Não é o que parece quando se ouve a discografia clássica de Simonal, que vai de 1963 a 1972 e soma 10 discos, alguns indispensáveis para entender o que se fazia no Brasil dos 60 e início dos 70.

 

 

 

 

 

O primeiro LP é Wilson Simonal tem algo mais, de 63, difuso como todos os discos do cantor, onde convivem músicas de gêneros diversos. O que para a maioria dos intérpretes poderia significar falta de unidade, desorientação e ausência de uma personalidade mais clara, nunca foi problema para Simonal. Ele unificava suas escolhas em torno da voz, do estilo peculiar de cantar, que privilegiava a divisão, o ritmo e os arranjos. Simonal tinha um ouvido preparado e, mesmo sem ler música, orientava seus maestros para que o arranjo obedecesse a sua interpretação e não o contrário. Além do mais, sempre se cercou de bons músicos, regentes e orquestradores, aptos a criar e a acompanhar sua voz e estilo de cantar inteiramente novos dentro da música brasileira do período. Quase todos os discos da primeira fase de Simonal, inventários do samba, da bossa nova e dos novos compositores que não paravam de aparecer, têm nos arranjos o maestro Lyrio Panicali e o estreante Eumir Deodato.

 

Simonal tinha mesmo algo mais. Balanço Zona Sul, de Tito Madi, é o primeiro clássico do cantor. A nova dimensão do samba, de 64, vem com Nanã, do maestro Moacir Santos, que Simonal lançou um ano antes do autor. Já no segundo LP, Simonal prova porque era mais moderno e ousado do que a Bossa nova. Suas versões para Lobo bobo (Carlos Imperial e Ronaldo Bôscoli); Só saudade (Tom Jobim e Newton Mendonça); Rapaz de bem (Johnny Alf) e Inútil paisagem (Tom e Aloysio de Oliveira) são definitivas e transformadoras. O disco termina com um medley que junta Consolação (Baden Powell e Vinícius de Morais), Samba do avião (Tom Jobim), Ela é carioca e, naturalmente, Garota de Ipanema, as duas de Tom e Vinícius.

 

 

Em pouco mais de um ano, Simonal lançaria três discos, o que era raro no Brasil. Em 65, vieram S’Imbora e Wilson Simonal, trabalhos menores que dão sequencia ao que Simonal já estava fazendo, com a inclusão natural de um dos desdobramentos da Bossa nova: a canção de protesto, que estaria na origem do que passou a ser chamado de MPB. Simonal grava em S’Imbora Fica mal com Deus, de Geraldo Vandré, Sonho de um carnaval (Chico Buarque) e Samba do carioca, de Carlos Lyra e Vinícius. Não abandona de todo a velha Bossa e os cânones da canção brasileira que sempre gravou, além de novos compositores que trouxe para seus discos como Sílvio César, Geraldo Nunes e Marcos Valle, entre outros. As suas versões para Se todos fossem iguais a você (Tom e Vinícius) e Duas Contas (Garoto) são mais um atestado da capacidade de Simonal para recriar canções e trazê-las para o seu registro único. Wilson Simonal traz mais um medley, de Ary Barroso, Zé Keti (Opinião) e Caymmi (Marina). A música que mais chama a atenção no disco é a modesta faixa 9, Juca bobão (Del Loro), samba-jazz com inflexões de rhythm and blues que lança um novo Simonal e inaugura a segunda fase do cantor, a mais criativa, importante e influente, que faria dele o maior cantor do Brasil.

 

 

Entre 61 e 65, da primeira gravação em compacto com Teresinha a Wilson Simonal, Simonal já tinha passado por toda a Bossa nova sem ser o bossanovista típico da zona sul carioca. Fez até uma temporada bem sucedida no Beco das Garrafas, levado por Luis Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli junto com o Som Três do pianista César Camargo Mariano. O Beco, reunião de bares e casas noturnas em Copacabana, era um dos redutos da trepidante noite carioca do final dos 50 e início dos 60, no apogeu da Bossa nova. 

 

Simonal também gravou os melhores compositores brasileiros, de Noel Rosa a Dorival Caymmi. Cantou samba o suficiente para não ser confundido com mais um negro sambista ou cantor de MPB. Antes do lançamento de A nova dimensão do samba, já excursionava com o Bossa Três do pianista Luis Carlos Vinhas pelas Américas do Sul e Central, sempre com enorme sucesso; mas Simonal não era o Simonal.

  

 

 

 

O verdadeiro Simonal, que cantava calipso, standards da canção norte-americana, swing, samba, bolero, boogaloo e rock and roll no quartel, onde aprendeu a tocar violão, apareceria pelas mãos do seu padrinho musical: Carlos Imperial. Figura lendária da cena musical desde a introdução do rock and roll no Brasil, Imperial estava em todas. Foi compositor, produtor, radialista, jornalista, apresentador de TV, jurado (malvado) de programas de calouros, cineasta, dramaturgo, ator, agitador cultural e vereador pelo Rio de Janeiro. Imperial descobriu e apadrinhou Simonal, Roberto Carlos e Tim Maia; ajudou Elis Regina e Clara Nunes, além de celebridades instantâneas que promoveu como Fábio e Dudu França (alguém se lembra de Grilo na cuca ?).

 

O intimismo e os limites da bossa nova não combinavam com o jeito expansivo, aberto e preparado para o consumo das massas que Simonal já tinha mostrado nos bailes do exército, no Beco, em discos e excursões no Brasil e no exterior. Simonal estava mais próximo de Imperial do que de João Gilberto, que era o seu oposto.

 

 

 



Escrito por sergio menezes às 01h25
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